A escola acaba com os alunos (Talvez parte 1?)

Por Rafael Lima

Eu sempre tive alunos (Lembrem que dou aula, na maior parte do tempo, para ensino médio) que achavam que não era aula se eu não escrevia algo no quadro, ou se eles não escreviam algo no computador (ou no caderno).

Alunos que foram condicionados a apenas copiar. Copia do quadro, descora, responde na prova, consegue a nota, passa de ano. Esse é o objetivo da escola para esses alunos (que, na verdade, são em grande número) – decorar coisas e ultrapassar os obstáculos PROFESSOR e PROVA para conseguir um documento que o permita “ser alguém na vida”

Esses alunos normalmente não costumam pensar sobre nada que está acontecendo na aula – vejo normalmente a mente deles estar longe quando se está discutindo sobre qualquer coisa, o que importa é apenas o necessário para ser decorado e respondido na prova. Às vezes eles não conseguem fazer um exercício e, quando dou uma explicação detalhada sobre a resolução do exercício, eles não prestam atenção em nada, o olhar deles está nitidamente me dizendo “Ok, pula isso e vai logo pra parte que eu preciso colocar aqui para ficar certo e pronto”.

A escola é quem gera isso. A escola consegue o feito de matar a capacidade de pensar, fazer relações, criar e imaginar das pessoas. A escola não quer que você faça nada disso… no discurso pode até ser que sim, mas na prática a escola pede apenas que você decore uns fatos, memorize umas fórmulas, saiba repeti-las no papel e pronto. VOCÊ ESTÁ PRONTO PARA SER ALGUÉM NA VIDA.

Eu sendo professor de programação fico desesperado com isso. Eu preciso que meus alunos tenham capacidade de abstração e que consigam usar a criatividade e a imaginação para criar diferentes soluções para diferentes problemas. Mas a única coisa que eles conseguem fazer é decorar soluções prontas para problemas prontos e repeti-los.

E isso gera adultos que não conseguem pensar, não conseguem relacionar fatos e criar um ponto de vista a partir de dados e relatos diferentes (Não, eles só repetem o que ouvem na televisão, ou talvez a partir de um líder religioso – é a mesma mecânica da escola, eu ouço o que alguém diz e repito). Não conseguem pensar fora do paradigma e não conseguem solucionar novos problemas que surgem no trabalho e na vida.

A gente tenta desconstruir isso na sala de aula. Quando você tem tempo e colegas fazendo isso, é possível. Mas quando a escola inteira continua repetindo o esquema de “Decora-> responde na prova” e você ainda tem pouco tempo com os alunos, fica quase impossível. A escola basicamente ferra com a possibilidade de eu fazer meu trabalho direito. Por favor, professores do ensino fundamental, PAREM DE DAR PROVAS, PAREM DE FAZER SEUS ALUNOS DECORAREM COISAS, façam seus alunos PRODUZIREM, PENSAREM, CRIAREM, RELACIONAREM, deixem a mente de seus alunos LIVRES, parem de querer formatar a cabeça deles, parem de querer que eles decorem TROLHÕES de informações sobre suas disciplinas.

Eu agradecerei muito quando for minha vez de assumir a educação deles. E a sociedade vai agradecer mais ainda.

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