Antigamente era tudo bem diferente.

Por Joaquim Tavares Jr.

Antigamente era tudo bem diferente.

Hoje eu escrevo algo online e, um minuto depois, o texto se torna público e acerta milhões ou bilhões. Antigamente escrever nem sempre era permitido, divulgar o que se criava também não era fácil. Muitos artistas somente conseguiam ter suas obras reconhecidas e valorizadas após as suas mortes.

Hoje a fluidez dos assuntos é avassaladora! Faltam adjetivos para descrevê-la. Nesse último mês de Maio, por exemplo, tivemos o racismo, a crise política, a homofobia, o estupro, e alguns outros temas muito importantes, sendo debatidos a nível nacional. Antigamente tudo isso já existia, claro! No entanto, a forma com a qual se alastrava esses assuntos era infinitamente mais lenta, e o alcance do debate era menor. Resumindo: uma capa de jornal, hoje, se torna ultrapassada em questão de dias, ou mesmo no próprio dia. E você pode até não saber exatamente como se posicionar perante um assunto, mas ouviu alguma coisa sobre ele.

Hoje tudo é planejado para o agora. Posso viajar amanhã mesmo para a Bulgária, sem mesmo saber o que há para fazer por lá, ou como estaria o clima. Mas isso eu posso resolver durante o próprio percurso, pesquisando online em sites especializados ou fóruns de viagens, ou até no Facebook. Nem sei ao certo como deveria ser viajar antigamente. Tem noção? Ir para um lugar sem saber quase nada sobre ele. Viver do “boca-a-boca”, saber apenas das opiniões daqueles que eu conheço e já visitaram o local. Que estranho! Soa arcaico também, né?

Hoje a informação é um trem, enquanto antigamente era um cavalo. A formação segue o mesmo caminho. Antes percorria-se uma longa estrada para chegarmos ao conhecimento de algo; hoje podemos facilmente achar atalhos – não necessariamente tão precisos. A preguiça é um mal que combina muito com a modernidade. Para que ler um livro todo se eu posso achar um resumo dele com opiniões na internet?

A questão aqui não é aprovar ou desaprovar como funciona o hoje, mas, sobretudo, entendê-lo em virtude do ontem. Se algo não é feito ou vivido como se fazia ou vivia, sinal de que significativamente mudou. A mudança é natural. A evolução depende da mudança. A mudança nem sempre é evolução.

Sobre mudança, evolução (ou não), e o passar dos tempos, pensemos a escola. A de hoje. A de antigamente. Evoluímos? Retrocedemos? Mudamos?

Façamos o seguinte: diga-me se o que estou prestes a descrever é o hoje ou o antigamente da escola. Lá vai!

Esse escola é cheia de salas de aula, filas ordenadas de cadeiras e mesas, horários demarcados por sinais, professores e alunos, provas e testes, deveres (cadê os direitos?), castigos, meritocracia, notas conceituais, reprovação.

Nesses tempos líquidos e modernos, a solidez escolar não se apresenta numa base firme, que busca e segue os avanços sociais, mas sim num dogmatismo quase religioso, onde o novo e o velho não diferem.

Aquilo que não muda está morto.

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