Exatas não são difíceis

Por Rafael Lima

As disciplinas de exatas não são difíceis, o ensino delas é que, num geral, é horrendo.

Eu fiquei a maior parte da minha vida na área de exatas, depois fui fazer uma graduação na área de humanas. Eu lembro ainda no primeiro período de Pedagogia, fazendo uma prova a professora me pergunta se eu fui bem, e eu falo “Eu não sei, acho que sim… eu não sei onde eu paro de escrever nessas provas”

Quando eu fazia uma prova de exatas, eu sabia que, por exemplo, dava pra simplificar um polinômio e até onde dava pra ir. As vezes eu até pensava “Eu sei que dá pra simplificar mais que isso, mas não sei como fazer”. As exatas tem esse nome em parte porque as coisas estão “certas” ou “erradas”, não costuma ter meio termo e se você entende a parada, o mistério acabou.

Na área de humanas não é bem assim, as coisas dependem de contexto, de interpretação, de relações, de visão de mundo, de ideologia… é muito mais complicado.

O lance é que quando a gente tá estudando, sei lá, História, Sociologia ou Antropologia, você normalmente consegue relacionar as coisas que você tá lendo e ouvindo com vivências e observações reais da tua vida. Eu sempre digo que as coisas que eu aproveitei fazendo faculdade de Pedagogia eram aproveitadas porque eu já era professor e já conseguia ver a relação do que era dito com o que eu vivia dentro da minha sala de aula.

As exatas são ensinadas como se existissem com fim nelas mesmas. Você até aprende a “Eu tinha três balas, ganhei mais cinco, com quantas fiquei?” ou “Eu tinha 10 maçãs, comi 3, com quantas fiquei?”… mas depois disso vira um monte de número (“e letra”) que não representam nada nossa vida.. parece que aquilo existe só dentro daquele universo e mais nada, que você “aprende” pra fazer prova e depois esquecer. E ai é óbvio que ninguém aprende, ai depois os professores nas universidades (onde parte daquele conhecimento vai ser utilizado) reclamam que o ensino de Matemática e Física nas escolas é ruim… (Essa reclamação parte de professores que também ensinam de forma similar aos da escola).

Por que a gente não pega a Televisão que a mãe do menino comprou na Casas Bahia parcelada em 16 vezes, trás os carnês pra escola e vê a progressão na função parcelas/valor final caso ela diminua ou aumente o valor das parcelas? Vai brincar de função, de juros compostos e vai falar do orçamento familiar.

Por que a gente não pinta a parede da escola e calcula a quantidade de tinta a ser utilizada de acordo com a área da parede?

Por que a gente não aprende as relações trigonométricas jogando sinuca?

Por que depois que a gente aprende os conceitos matemáticos, a gente não aprende a ensinar o computador a fazer as contas para a gente? (Porque a gente nem aprende os conceitos matemáticos de verdade, quem dirá aprender a programar)

Por que não se usa simuladores e experiências em laboratórios para demonstrar a física?

Nas áreas de exatas, num geral, tudo é lógico e se encaixa. Não tem “exceção da regra”, não tem contexto variável. Se a parada encaixa aqui, vai encaixar ali. É muito mais simples. O problema é que tudo é ensinado como se fossem verdadeiros enigmas egípcios que existem apenas para ferrar com a tua cabeça e, ao invés dos professores nos fazer concentrar em compreender os conceitos, eles apenas nos colocam para fazer conta e fazer conta e fazer conta e fazer conta, um monte de conta que não representa nada de lugar nenhum e que não serve para nada além de garantir a sua nota.

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